Segunda, 11 Dezembro 2017 10:40

Quase 100% das vagas criadas no setor privado são informais, diz IBGE

Dados foram extraídos da pesquisa Pnad Contínua do IBGE

Os cálculos de Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, são aproximados e demonstram a tendência de informalidade verificada na geração de emprego recente no país.

A Pnad Contínua mostra que aproximadamente 2,3 milhões de postos foram criados neste ano de 2017, desde o trimestre iniciado em fevereiro.

Destas, Azeredo avalia que cerca de 1,7 milhão são postos voltados para a informalidade, ou seja, é possível afirmar que 76% das vagas geradas dentro do ano têm características informais. O restante foi serviço público (511 mil).

"A geração de postos de trabalho com característica informal contribui para a precarização do mercado de trabalho, pois adiciona a esse mercado ocupações de baixa qualidade", afirma Azeredo.

O trabalho informal são vagas geradas no trabalho sem carteira (721 mil), empregadores (187 mil), trabalhadores domésticos (159 mil) e por conta própria (676 mil) —modalidades consideradas de menor qualidade em relação aos postos com carteira assinada, protegidos pela lei trabalhista.

É o trabalhador que perdeu o emprego formal na construção e passou a atuar com pedreiro independente em pequenas obras, contratando ajudantes, o que o coloca na categoria de empregador. Também pode ser aquele que passou revender comida feita em casa ou cosméticos, por exemplo, encaixando-se na modalidade do conta própria.

Os novos empregos com carteira ficaram em 17 mil no trimestre, um número considerado pequeno do ponto de vista estatístico.

"É possível fazer essa aproximação porque, no momento em que o trabalho por conta própria está aumentando, parte expressiva das vagas de empregadores também têm grandes chances de serem informais", diz Azeredo.

A conta é aproximada. Dentro do grupo de trabalhadores por conta própria e empregadores pode haver uma minoria de pessoas que não estão em características informais.

Tamanha informalidade se explica pela crise. "Tem uma crise econômica e um cenário político conturbado que, de certa forma, inibe o processo de empreender e, consequentemente, cresce a informalidade. As pessoas estão entrando no mercado através de alimentação, comércio, uma construção de baixa qualidade", diz o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

"O que se vê é uma aumento através da informalidade. Há crescimento na construção, no serviço doméstico, ambulantes, serviços de beleza, salão de cabeleireiro, manicure", afirma Cimar Azeredo.

Segundo ele, esse processo não alterou o rendimento do trabalhador individualmente, mas trouxe um aumento da massa de rendimento no país, deixando a esperança de que a economia se movimente para a vinda de uma retomada de postos de trabalho formais no futuro próximo.

O rendimento médio do trabalhador informal foi de R$ 1.253 no trimestre encerrado em outubro, 42% a menos que a média de todos os trabalhadores, que foi de R$ 2.127. Houve um leve aumento em relação ao trimestre anterior, quando o informal ganhava em média R$ 1.197.

"Essa entrada expressiva de pessoas no mercado de trabalho trouxe um aumento da massa de rendimento. E esse aumento é importante, ainda que venha através da informalidade, porque movimenta a economia", afirma.

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