Segunda, 04 Setembro 2017 14:33

Reação do emprego favorece homens e profissionais mais instruídos

A recuperação lenta do mercado de trabalho beneficiou mais os homens e profissionais com maior nível de instrução

 

Como um todo, a taxa de desemprego recuou de 13,7% no primeiro trimestre para 13% no período seguinte, a primeira queda desde 2014.

Os menos instruídos, porém, mal sentiram essa leve melhora. No grupo de pessoas com ensino fundamental incompleto, a taxa de desemprego caiu de 12,6% para 12,2% –baixa de 0,4 ponto.

Entre os sem instrução, houve pequena baixa de 0,1 ponto, para 10,8%. Nos com fundamental completo, a queda foi de 0,2 ponto, para 15%.

No outro extremo, as quedas foram mais significativas. No superior completo, a taxa de desemprego caiu de 7,1% para 6,4% (0,7 ponto).

A queda mais forte, de 2,4 pontos, foi registrada pelo grupo com ensino médio incompleto, mas a taxa de desemprego dessa fatia ainda é bastante alta, de 21,8%.

Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre, da FGV, diz que os mais qualificados, em especial os homens, são beneficiados por um duplo movimento. Eles demoram mais para ser atingidos pela crise e tendem a ser os primeiros a ser beneficiados pela retomada.

"A demanda por essas pessoas é mais forte, em razão da maior experiência e produtividade, o que faz com que essa mão de obra fique mais protegida na crise", diz.

Thiago Xavier, da consultoria Tendências, observa também que a geração de vagas para os mais instruídos cresce desde o início da crise.

No segundo trimestre, por exemplo, a população ocupada com ensino superior cresceu 4,7% em relação a igual período de 2016, enquanto o grupo com fundamental completo encolheu 12,4%.

"Apesar da recessão, a economia não perdeu a capacidade de gerar vagas para os mais qualificados", diz Xavier. Entre os menos escolarizados, no entanto, a queda na ocupação já ocorria em 2013 e se intensificou.

O economista diz que, desde o início da crise, a taxa de desemprego cresceu entre os mais instruídos não porque ocorreram mais demissões. Mas porque apareceram mais indivíduos desse grupo na busca por emprego.

Entre os menos escolarizados, a trajetória é oposta. Há cada vez menos gente procurando trabalho, mas as demissões conseguem superar esse movimento, o que eleva a taxa de desemprego.

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